Dados dos Estudos Painel Eleitorais Brasileiros (BEPS): 2010

Por Department of Research and Chief Economist (VPS/RES/RES)

O Estudo de Painel Eleitoral do Brasil (BEPS) foi pensado para acompanhar como o clima político no Brasil se transformou ao longo da eleição presidencial de 2010. A proposta era produzir dados capazes de:

  1. Aferir a volatilidade eleitoral pessoa a pessoa durante toda a campanha
  2. Investigar de que maneira fatores de curto e de longo prazo pesam na decisão de voto

O BEPS estrutura-se em três ondas de pesquisa:

  • Primeira onda (março–abril de 2010): Aplicada cerca de seis meses antes do primeiro turno, quando a campanha ainda não havia sido oficialmente aberta.
  • Segunda onda (agosto de 2010): Antecedeu o Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral (HGPE), fase em que os candidatos tiveram presença diária na televisão em horário nobre.
  • Terceira onda (novembro de 2010): Aplicada logo após o segundo turno (31 de outubro).

Conduzidas no âmbito do Barômetro das Américas 2010 pelo Projeto de Opinião Pública da América Latina (LAPOP), as pesquisas trazem um retrato detalhado das intenções de voto, das preferências de política pública e dos valores da população brasileira em relação à democracia, à representação e ao comportamento eleitoral.

Este painel funciona como ponto de partida essencial para entender o comportamento eleitoral na América Latina e enriquece os debates comparados nos Estados Unidos e além.

Resumo de metadados — Estudo de Painel Eleitoral do Brasil (BEPS) 2010

Cobertura geográfica

O conjunto de dados contempla as cinco grandes regiões do Brasil: - Norte (1501) - Nordeste (1502) - Centro-Oeste (1503) - Sudeste (1504) - Sul (1505)

Para cada respondente, registra-se: - Estado (prov) - Município (municipio) - Bairro (bradistrito) - Setor censitário (brasegmento, brasec) - Condição urbano/rural (ur) - Tamanho da localidade (tamanho)

Cobertura temporal

O conjunto de dados cobre a eleição presidencial brasileira de 2010, com três ondas de pesquisa: - Onda 1: março–abril de 2010 (pré-campanha) - Onda 2: agosto de 2010 (fase midiática anterior ao HGPE) - Onda 3: novembro de 2010 (pós-eleição)

Cada onda incorpora: - Data da entrevista (data) - Identificador da onda (wave no arquivo em formato longo)

Unidade de análise

A unidade de análise é o respondente individual, sorteado entre domicílios de todo o país. A cada um é atribuído um identificador de questionário único (id_num), acompanhado onda após onda dentro do painel.

Temas abordados

O conjunto de dados reúne indicadores sobre: - Intenção de voto e avaliação dos candidatos (vb20bra, vb6a, vb6b, vb6d) - Ideologia política e autoposicionamento (l1, l1a, l1b, l1c) - Confiança nas instituições (b10a, b11, b12, b13, b14, b21) - Posturas diante da democracia e do autoritarismo (jc1, jc15a, pop101, pop102, pop103) - Preferências de política e prioridades de gasto (vb7avb7q) - Mobilidade social e autopercepção (socmob1, socmob2, socmob3) - Religião e influência política (q3c, q5a, q5c, q5e) - Consumo de mídia e conhecimento político (www1, gl1, gl3, gl4) - Corrupção e clientelismo (exc2, exc6, exc18, clien1, clexp1clexp7) - Segurança e vitimização (vic1ext, vic2, aoj11, aoj12) - Dados demográficos (q1, q2, etid, ed, q10, q12, q13bra)

Desenho amostral

O conjunto de dados apoia-se em um desenho amostral estratificado em múltiplos estágios, que abrange: - Unidades primárias de amostragem (UPM) - Estratificação por região (estratopri) - Conglomerados (cluster) - Condição urbano/rural (ur) - Tamanho da localidade (tamanho)

Modo de coleta de dados

As pesquisas foram feitas por meio de entrevistas presenciais, o que se comprova em: - Hora de início da entrevista (hora_inicio) - Identificador do entrevistador (intid) - Idioma do questionário (idiomaq) - Orientações de campo e uso de cartões (p. ex., “ENTREGUE O CARTÃO”)

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Metadados e uso

Identificador https://doi.org/10.60966/evsj3zhp
Licença Creative Commons Atribuição–NãoComercial–SemDerivações 3.0 IGO
Produto de Conhecimento Relacionado
Citação

Huberts, Alyssa, et al. (2015). Dados dos Estudos Painel Eleitorais Brasileiros (BEPS): 2010. Dados Abertos do BID. https://doi.org/10.60966/evsj3zhp

Data de publicação 2015-03-29
Data de modificação 2026-07-15
Tags/Palavras-Chave Eleições · Pesquisa de opinião pública
Idioma
  1. Português
Cobertura Temporal 2010-2010
País
Brasil
Região América Latina e Caribe
Publicador
Banco Interamericano de Desenvolvimento
Autor
Huberts, Alyssa
Machado, Fabiana
Tipo de Coleta de Dados Dados de Inquéritos
Tipo Estatístico Dados em Painel
Estrutura dos Dados Dados Estruturados
Notas dos Dados

Que partidos políticos predominam no Brasil e que ideologia representam?

Os dados do BEPS registram as principais forças em atividade em 2010: o PT (Partido dos Trabalhadores), de esquerda, defensor do bem-estar social e ligado a Lula e a Dilma Rousseff; o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), de centro-direita, com orientação de mercado e liderado por José Serra; o PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), de perfil centrista e hábil na formação de coalizões. Somam-se a eles legendas menores —PSOL, PDT, PV, DEM, PSB, PTB, PPS, PL, PCdoB—, que vão da esquerda (PSOL, PCdoB) a posições conservadoras (DEM, PL). Ao serem questionados sobre afinidade partidária (vb11), os respondentes apontaram o PT e o PSDB como as forças que mais dividiam a opinião.

O que explica o alto grau de polarização política no Brasil?

O BEPS evidencia uma polarização ancorada na identificação com os partidos e na forma como o eleitorado situava cada candidato no eixo esquerda-direita (l1, l1a, l1b, l1c): Lula e Dilma apareciam sistematicamente à esquerda, ao passo que Serra era colocado à direita. Essa fratura ideológica, somada a leituras opostas sobre os programas sociais (Bolsa Família, vb6e–vb6h) e a corrupção (exc7), acabou abrindo profundas fissuras entre as diferentes filiações.

De que forma o multipartidarismo brasileiro condiciona o governo presidencial?

O que as respostas revelam é que, diante de um eleitorado disperso entre muitos partidos, formar coalizões torna-se indispensável. Quem apoiava o PT esperava a ampliação dos programas sociais, ao passo que o eleitorado do PSDB pendia para reformas de inspiração liberal. Em um cenário tão fragmentado (vb11 deixa ver inúmeras legendas menores), quem chega à presidência é obrigado a negociar com blocos heterogêneos, e disso resultam tanto as concessões quanto a paralisia no Congresso.

Que papel a desigualdade econômica e a criminalidade exercem no clima político e no voto no Brasil?

Quando o BEPS perguntou qual era o problema mais urgente (a4), as respostas mais frequentes apontaram o desemprego, a pobreza, a desigualdade, a corrupção e a violência. Ter sido vítima de um crime (vic1ext, vic2) e a sensação de insegurança (aoj11) mostravam-se fortemente ligadas à desconfiança nas instituições. Tudo isso confirma que a desigualdade e a criminalidade foram motores decisivos das atitudes políticas e da decisão de voto em 2010.

Que valores culturais são centrais na sociedade brasileira?

Embora seu eixo seja político, o BEPS deixa entrever certos valores de modo indireto. No plano religioso, uma maioria católica convive com um evangelismo em ascensão (q3c, q5a). No que toca à família e ao bem-estar social, percebe-se um apoio firme ao Bolsa Família e aos gastos com educação (vb7a–vb7c). Diante da democracia, a maioria concordou em preferi-la apesar de suas falhas (ing4, dem23). E numa chave coletiva, houve apoio à ação afirmativa (rac2, aanew) e à miscigenação racial (rac3a, rac3b). No conjunto, despontam valores de solidariedade, religiosidade e vocação democrática.

De que modo os valores políticos brasileiros expressam a tensão entre o populismo e as instituições democráticas?

Ao sondar até onde deveria ir o poder executivo em relação às demais instituições, o BEPS verificou que parte do eleitorado admitia que o presidente passasse por cima do Congresso ou do Supremo Tribunal quando estes lhe criavam obstáculos (pop101–pop103). Ainda assim, muitas dessas mesmas pessoas manifestavam orgulho pela democracia e confiança nas eleições (b47, pn5). Esse contraste mostra como as inclinações populistas convivem com um compromisso democrático genuíno.

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