Dados dos Estudos Painel Eleitorais Brasileiros (BEPS): 2010
Metadados e uso
| Identificador | https://doi.org/10.60966/evsj3zhp |
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| Licença | Creative Commons Atribuição–NãoComercial–SemDerivações 3.0 IGO |
| Produto de Conhecimento Relacionado | |
| Citação |
Huberts, Alyssa, et al. (2015). Dados dos Estudos Painel Eleitorais Brasileiros (BEPS): 2010. Dados Abertos do BID. https://doi.org/10.60966/evsj3zhp |
| Data de publicação | 2015-03-29 |
| Data de modificação | 2026-07-15 |
| Tags/Palavras-Chave | Eleições · Pesquisa de opinião pública |
| Idioma |
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| Cobertura Temporal | 2010-2010 |
| País |
Brasil
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| Região | América Latina e Caribe |
| Publicador |
Banco Interamericano de Desenvolvimento
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| Autor |
Huberts, Alyssa
Machado, Fabiana
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| Tipo de Coleta de Dados | Dados de Inquéritos |
| Tipo Estatístico | Dados em Painel |
| Estrutura dos Dados | Dados Estruturados |
| Notas dos Dados |
Que partidos políticos predominam no Brasil e que ideologia representam?Os dados do BEPS registram as principais forças em atividade em 2010: o PT (Partido dos Trabalhadores), de esquerda, defensor do bem-estar social e ligado a Lula e a Dilma Rousseff; o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), de centro-direita, com orientação de mercado e liderado por José Serra; o PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), de perfil centrista e hábil na formação de coalizões. Somam-se a eles legendas menores —PSOL, PDT, PV, DEM, PSB, PTB, PPS, PL, PCdoB—, que vão da esquerda (PSOL, PCdoB) a posições conservadoras (DEM, PL). Ao serem questionados sobre afinidade partidária (vb11), os respondentes apontaram o PT e o PSDB como as forças que mais dividiam a opinião. O que explica o alto grau de polarização política no Brasil?O BEPS evidencia uma polarização ancorada na identificação com os partidos e na forma como o eleitorado situava cada candidato no eixo esquerda-direita (l1, l1a, l1b, l1c): Lula e Dilma apareciam sistematicamente à esquerda, ao passo que Serra era colocado à direita. Essa fratura ideológica, somada a leituras opostas sobre os programas sociais (Bolsa Família, vb6e–vb6h) e a corrupção (exc7), acabou abrindo profundas fissuras entre as diferentes filiações. De que forma o multipartidarismo brasileiro condiciona o governo presidencial?O que as respostas revelam é que, diante de um eleitorado disperso entre muitos partidos, formar coalizões torna-se indispensável. Quem apoiava o PT esperava a ampliação dos programas sociais, ao passo que o eleitorado do PSDB pendia para reformas de inspiração liberal. Em um cenário tão fragmentado (vb11 deixa ver inúmeras legendas menores), quem chega à presidência é obrigado a negociar com blocos heterogêneos, e disso resultam tanto as concessões quanto a paralisia no Congresso. Que papel a desigualdade econômica e a criminalidade exercem no clima político e no voto no Brasil?Quando o BEPS perguntou qual era o problema mais urgente (a4), as respostas mais frequentes apontaram o desemprego, a pobreza, a desigualdade, a corrupção e a violência. Ter sido vítima de um crime (vic1ext, vic2) e a sensação de insegurança (aoj11) mostravam-se fortemente ligadas à desconfiança nas instituições. Tudo isso confirma que a desigualdade e a criminalidade foram motores decisivos das atitudes políticas e da decisão de voto em 2010. Que valores culturais são centrais na sociedade brasileira?Embora seu eixo seja político, o BEPS deixa entrever certos valores de modo indireto. No plano religioso, uma maioria católica convive com um evangelismo em ascensão (q3c, q5a). No que toca à família e ao bem-estar social, percebe-se um apoio firme ao Bolsa Família e aos gastos com educação (vb7a–vb7c). Diante da democracia, a maioria concordou em preferi-la apesar de suas falhas (ing4, dem23). E numa chave coletiva, houve apoio à ação afirmativa (rac2, aanew) e à miscigenação racial (rac3a, rac3b). No conjunto, despontam valores de solidariedade, religiosidade e vocação democrática. De que modo os valores políticos brasileiros expressam a tensão entre o populismo e as instituições democráticas?Ao sondar até onde deveria ir o poder executivo em relação às demais instituições, o BEPS verificou que parte do eleitorado admitia que o presidente passasse por cima do Congresso ou do Supremo Tribunal quando estes lhe criavam obstáculos (pop101–pop103). Ainda assim, muitas dessas mesmas pessoas manifestavam orgulho pela democracia e confiança nas eleições (b47, pn5). Esse contraste mostra como as inclinações populistas convivem com um compromisso democrático genuíno. |